sexta-feira, 18 de novembro de 2011

Desafios da Saúde Suplementar

Por Dra. Maria Tereza V. Lodi

Quando me pediram para escrever sobre Saúde Suplementar fiz uma breve reflexão dos meus 30 anos de atuação como médica ginecologista e 18 anos na Auditoria Médica. Nesse período, atender pacientes por convenio médico era um diferencial e atendia praticamente todas as empresas. Hoje desisti de atendê-las pelos baixos valores pagos, demora no recebimento de faturas e glosas absurdas. E o que mudou nesse tempo?
Primeiro a grande quantidade de médicos no mercado de trabalho que se submetem aos baixos honorários e em compensação atendem em 5 minutos. Como é possível se tirar uma história clinica, examinar , prescrever e orientar as pessoas em poucos minutos? Impossível e, portanto o paciente reclama e vai para outro médico, que pede exames e novamente cobra consulta. Depois de muito reclamar ,ele muda de convenio médico.
Num cenário onde a qualidade é um diferencial, onde estão os gestores das empresas de Saúde Suplementar que não avaliam a qualidade de atendimento de seus prestadores? Onde não há qualidade não há fidelização do usuário! Precisará a ANS criar critérios de qualificação de prestadores de serviço e não as operadoras?
Afinal, quem de nós não gosta do bom atendimento, principalmente nos momentos de fragilidade do ser humano em que há doença e necessidade de cuidados médicos?
As mudanças não são de fácil resolução, pois envolvem vários parceiros, porém, a meu ver, enquanto os honorários médicos forem tão aviltantes não há como evitar os vieses nas cobranças de OPME, nas infusões de medicamentos de alto custo ou mesmo no excesso de solicitação de exames.
Qual é a melhor opção de pagamento? Pay for performance ou pay for fee? Como ter a melhor rede de credenciamento, qualificando os prestadores por índices de qualidade?
Muito temos a fazer para melhorar o sistema de saúde e só a discussão entre todas as partes envolvidas para chegar aos objetivos comuns: assistência médica de qualidade e negócio com lucratividade.
Mas essa é uma longa discussão que vamos desenvolver ao longo do próximo ano e tenho certeza, que muitas ideias surgirão para ajudar aos gestores a melhorar o desempenho de suas empresas, os médicos de sua atividade e o paciente da sua saúde.

domingo, 13 de novembro de 2011

Discutindo a Relação

Por Fanny Zygband

Já se foi o tempo em que a comunicação de uma empresa era uma atividade que se limitava à disseminação de notícias favoráveis sobre a organização e à tentativa de “controlar” os danos causados pelas que não fossem tão favoráveis.

Nos dias de hoje, em que a convergência entre tecnologias e mídias possibilita diálogos cada vez mais frequentes entre todos os meios e públicos e existe grande facilidade para cada indivíduo expressar sua opinião, o modo de enxergar, produzir e veicular as mensagens organizacionais também passa por profundas transformações.  

Nesse cenário, a capacidade de uma organização interagir e manter relações saudáveis com seus públicos de interesse passou a ser, mais do que um diferencial, uma questão de inteligência competitiva. Não é de estranhar, portanto, que a comunicação empresarial assuma gradativamente um papel cada vez mais estratégico, alinhado com a política global da organização, integrado e com um grande desafio: buscar o equilíbrio entre os interesses da empresa e os de seus públicos de relacionamento.

A tarefa não é simples. A interação de uma organização com seus públicos é complexa, plural e multifacetada. Estamos falando de interesses que nem sempre coincidem e que, com alguma frequência, são divergentes e antagônicos. Por isso, não é mais suficiente, para o exercício competente da comunicação empresarial, ser um profissional habilitado, conhecedor de teorias e técnicas. O assessor de comunicação hoje é fundamentalmente um gestor de processos e, na maioria das vezes, um administrador de conflitos.
Não existem receitas ou fórmulas prontas que possam ser aplicadas em todas as organizações. Cada planejamento de comunicação é um processo minucioso, cuidadoso e único, que deve levar em conta as peculiaridades da empresa e as da rede de relacionamentos na qual está inserida.

Atuar em sinergia com os públicos de interesse e incorporar seus objetivos aos da organização implica em uma nova postura no relacionamento, na qual disposição para ouvir, transparência e ética são imperativos. É um caminho que já vem sendo percorrido por várias empresas, com muitos erros e acertos por parte de todos os atores, mas seguramente um caminho sem volta.